Gente que faz viver

É comum todos os anos juntarmos os irmãos na Comunidade e realizarmos um mutirão para restauração do prédio. Entenda-me bem, quando falo mutirão estou falando de carregar peso, gastar o sábado inteiro, aprender a utilizar o pincel, serrar madeira.

 

Ao passar destes longos doze anos ou um pouco mais tenho percebido que o plano principal de fato é restaurar o prédio, no entanto o que acontece na subjetividade não é bem isso.

Parece curioso, mas fazer mutirão é me encontrar com a realidade.

Durante este tempo na Comunidade eu conheço pessoas, me envolvo um pouco mais, entre uma pincelada e outra posso ouvir o comentário do amigo que acabou de ter seu primeiro filho e junto com ele todas aquelas histórias de fraldas, amamentação, cólicas pela madrugada a fora. Compartilho das minhas leituras e aporrinho os outros que tem aversão aos livros.

Neste tempo tão intenso tenho tempo para ouvir a chateação de um amigo, ou até mesmo, atentar para o outro que mesmo num grupo de pessoas quer se isolar.

Fazer mutirão é expor suas emoções, é se expor. É permitir que o outro compartilhe das suas próprias vivências e dessas vivências se permitir encontrar em outras possibilidades. Isso soa bastante poético, e me parece que de fato o é afinal lá encontro afetos gratuitos.

Quando chega a hora do almoço o encanto fica maior, pois não se trata de um almoço, mas de um banquete. Um banquete de pessoas que se sentem inadequadas para a tarefa, mas que pelo seu senso particular de unidade e de necessidade de ajudar a causa comum resolve se dispor ainda que inábil. Sentamos-nos a mesa. Muito além da comida encontramos as mulheres prendadas que prepararam tudo aquilo. Elas deixaram os seus afazeres e também foram compartilhar das suas vivências, entre um tomate e uma alface trouxeram sua disposição de ajudar e ensinar ou talvez de aprender junto.

Quando todos estão à mesa, a brincadeira é geral, os sorrisos se destacam. Sorrisos cansados da semana corrida, sorrisos das mentes permeadas por pensamentos intensos e agitados.

Curioso ver na mesma mesa os engenheiros, mestres de obras, pastores de rebanhos, contadores, programadores, analistas, todos vestidos com a mesma camisa. A camisa do apoio, do auxílio à causa comum, a camisa da disposição, a camisa do "também quero fazer parte".

Assim o dia acontece! Uma troca de experiências, de esperanças, de testemunhos, de práticas de como pintar melhor a parede, de como não se cortar a madeira.

Já se passaram muitos anos desde os primeiros mutirões e olhando para trás percebo que talvez não tenha me tornado um pintor melhor, mas trago na bagagem as experiências que ouvi e que me marcaram, trago também a convicção de que ao meu lado tenho pessoas em quem posso confiar, irmãos que vão muito além de uma profissão. Pessoas que aprenderam muito e muito tem a compartilhar nos mutirões da minha existência.

Sábado que vem estarei lá novamente. Tudo vai se iniciar às 8 da manhã com um bom café, o carinho prestativo e empolvoroso da Tia Edna, o abraço dos brothers e assim vamos construindo a Comunidade e a nossa própria história.

Pior é que tem gente que ainda acredita que no mutirão a gente só faz trabalho braçal e nada mais... Mal sabem eles que o que a gente faz lá é viver.















Nicole - especialista em hidráulica e gentilezas

Milton Arioso é formado em Comunicação Digital, gestor deste site, escreve em seu blog há 7 anos.

Contato: arioso@miltonarioso.com

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"... Aviva, ó SENHOR, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia". Habacuque 3.2

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